sexta-feira, setembro 22, 2006

Ja nao vou voltar a...

Iniciar um novo ciclo é paradoxal.

Sou de repente maior porque o que ficou para trás acabou e acabou mesmo, nunca mais lá volto.
Já não vou voltar a ser a pequena grande patinadora que uma vez me chamaram tinha eu 6 anos (seis e seis doze e seis dezoito... sim faz agora doze anos!)...
Já não vou voltar a aprender a ler e a escrever em cadeiras pequeninas nem a chamar pela Professora Maria José de braço no ar...
Já não vou voltar a ser aquela menina ainda um pouco vesguinha que queria muito ser amiga do pessoal bacano do ano seguinte (Adoro-vos amigos!*)...
E já não vou voltar a entrar na Vergílio Ferreira como aluna nem como membra da AE...

É como se de repente todos estes lugares deixassem de ser meus... E não o compreendo, porque estes e outros são o que conheço de mim mesma... São a minha vida. Deles saio com um coração cheio de recordações e lições para a vida. Deles saio com uma mão cheia de sonhos e de armas. Com uma mão cheia do nada que vou agora tentar alcançar.

E é esse o paradoxo. Porque para a frente sinto-me inocente, virgem, nua. Não sei o que vem. Não sei ao certo para onde vou. Não sei se escolhi o melhor caminho. Não tenho certezas. Para a frente está terreno intacto, inexplorado.
E sinto-me repentinamente desarmada, pouco preparada.
É bom ser caloira.
É bom descobrir outro mundo. Descobrir outras pessoas. Outras realidades. Acima de tudo é bom descobrir mais sobre mim mesma.

A excitação da descoberta, a viagem imprevisível, o pânico alucinante de ver serem-me passadas para as mãos as rédeas da minha própria vida, de ver ser-me imputada total responsabilidade pelas minhas escolhas e pelos meus actos...
E compreender o poder avassalador que isso acarreta.
Dos dois lados da balança: Criar ou Destruir.

É verdade que não tenho independência económica (nem emocional na verdade... mas será que alguém alguma vez a tem por completo?) e talvez isso seja determinante para refutar a minha tese. Talvez isso vos faça dizer-me que estou só a fazer filmes e que no fundo está tudo na mesma.
Mas eu não me sinto igual.
Sinto que a escolinha acabou e sinto uma grande força e vontade de marcar a diferença neste mundo dos crescidos onde entrei quase sem me dar conta.

Tenho a força de uma criança no corpo e na cabeça de uma jovem que chegou à idade adulta (Será?). Com esta confusão como nos é exigido saber o que somos e o que sentimos? Sinto muito ruído à minha volta e tenho dificuldade em ouvir-me. É por isso que grito.

AQUI VOU SER FELIZ! *

4 comentários:

Filipa Costa disse...

A vida é repleta de incertezas e nela há que arriscar para se obter algum resultado...

O que está pra trás n perdeste, nem nunca perderás, pq existirá para sempre num cantinho da tua memória que te trará aquelas boas recordações: a pequena grande patinadora, a tu aprofessora primária, as tais cadeiras pequeninas, a vergílio ferreira... nada se perde no tempo desde que te tenha trazido algo mto forte.. por isso, guarda bem essas memórias pois um dia mais tarde far-te-ão sorrir :) tal como a mim...

Agora segue em frente, tomaste a tua decisão, arriscaste na vida :) E vais-te sair bem, pq por pouco q te conheça, tu és uma lutadora nata!
Força!


Beijinho ** e agora só tenho a dizer: Muito boa sorte... em tudo!

:D

(Acho que me prolonguei demais.... lol)

teresa disse...

:) *

margarida disse...

Aqui. Aqui comigo. Aqui com tudo o que eu sou. Vou ser feliz =)

Cate disse...

Gostei deste post, Cláudia! Enquanto guardares essas boas recordações, tudo isso será sempre teu! Beijinho :)