domingo, novembro 26, 2006

Sou de Esquerda, sou JS!


A ideologia que represento baseia-se no socialismo democrático, na social-democracia, no trabalhismo - em suma, numa esquerda marcadamente democrática e que só concebe a democracia como sendo simultaneamente política, económica, social e cultural - por forma a conjugar modernização E consciência social.

A economia que quero, assente na pluralidade de formas económicas - públicas e privadas - resultantes da livre iniciativa dos cidadãos, deve ser regulada pelo mercado mas também por instituições públicas adequadas. Desta forma, cabe ao Estado estar atento às desigualdades criadas pela dinâmica de mercado e colmatá-las para que seja possível um desenvolvimento sustentável e acima de tudo coesão social.
"Economia de Mercado:SIM; Sociedade de Mercado:NÃO!"
Defendo convictamente o Estado-Providência ou o Estado-Social - a valorização da qualidade e acessibilidade dos serviços públicos nos domínios centrais da vida colectiva como a educação, a saúde e a cultura para assegurar que chegam de facto a toda a população.

Da Direita política chega-me, no entanto, uma crítica - cada indivíduo alcança o status social através do seu esforço e é este esforço que deve ser recompensado. Pessoalmente não podia ser mais a favor desta Meritrocracia. A questão é que esta ideia - tal como muitas do ideário comunista - é ideal e perfeita, não fosse pelo facto de ser impraticável. Há que ser pragmático: a sociedade não é capaz de reconhecer e compensar de igual forma "esforços iguais". Aliás, até se costuma dizer que ninguém enriquece a trabalhar. Os que conduzem Ferraris não são necessariamente os que mais trabalharam para o conseguir certo? (já para não dizer que muito provavelmente são dos que menos trabalharam!)

A Solidariedade é um valor que faz parte da minha concepção de sociedade, constituída por indivíduos interdependentes, e deve ser inerente a uma consciência moral de ajuda aos mais desprotegidos, não um "fardo para escravizar a elite" ou o assistencialismo que a direita preconiza. Acredito que as políticas sociais activas que forneçam oportunidades de formação, qualificação, integração e participação cívica aos que menos as têm são uma responsabilidade pública, não são favores nem cuidados paternalistas.
Reconheço que alguns subsídios "caiam em saco roto" e não estejam a contribuir para que essas pessoas saiam da situação em que se encontram. Mas, ao contrário do que uma certa Direita defende, não acredito que isso aconteça por irresponsabilidade das pessoas (que portanto não merecem os subsídios) mas sim por ignorância e desconhecimento. Não nego que existam oportunistas porque esses existem em todas as classes (!) mas acredito que a maioria poderia de facto aproveitar melhor o que lhe é dado se tivesse mais formação, mais educação!

O Estado-Social tem de existir para assegurar que todos os que por infortúnio da vida não têm condições, momentâneas, para assegurar a sua sobrevivência e dignidade não ficam sózinhos nem sem apoio. Tem de existir para assegurar que ninguém enfrenta a vida sem uma série de serviços que lhe permitam de facto exercer a Sua liberdade e alcançar os Seus objectivos através do Seu esforço.

O nacionalismo e o ultraproteccionismo económico não são soluções. A livre circulação de pessoas, ideias, recursos e capitais pode ser um factor de avanço social desde que promova o igual desenvolvimento de todas as nações. Logo, a globalização é não só um processo inevitável como também pode ser benéfico desde que se assegure uma regulação supranacional que constitua uma alternativa democrática ao actual estado da economia mundial com o fosso entre o Norte e o Sul - eufemismo para pobres e ricos - a ser cada vez mais fundo.

A Direita defende assumidamente o primado do sujeito e a defesa da sua Liberdade (ao ponto de lhe poder chamar Liberdade negativa no sentido em que não é salvaguardada a Liberdade colectiva - uma forma muito egoísta de conceber a vida em sociedade diria eu). Mas ironicamente tende a ser mais conservadora no que toca a estilos de vida que contrariam os costumes tradicionais, optando nesse caso pela perpetuação da proibição em prol da "moral pública". Não é difícil constatar este facto observando que são os partidos de esquerda quem se posiciona pela legalização do casamento entre homossexuais e pela despenalização do aborto, por exemplo.

Pertenço a uma Juventude Partidária porque acredito que é um meio através do qual posso contribuir para mudar um bocadinho o mundo em que vivo - apesar de todos os vicíos que a política e os políticos possam ter e tenham não deixa de ser um dos maiores motores de mudança social. Pertenço à Juventude Socialista porque defendo o princípio da Liberdade, da Igualdade e da Solidariedade de igual forma, sem cair em utopias nem extremismos sempre com o pragmatismo necessário para efectivar as mudanças necessárias.

1 comentário:

Manel disse...

entao e ja leste o livro do mundo plano ou la o q era? :P