segunda-feira, janeiro 29, 2007

Momentos Simples I

Mesmo ainda mergulhada no mistério do sono, já podia adivinhar o som estridente, inoportuno, impertinente, do despertador sem dó.

A chuva que lhe acompanhava o passo, o assobio gélido do vento na rua, o tom escuro de uma manhã em que as núvens mais pareciam novelos escuros e conturbados. Ela ainda não o poderia ver verdadeiramente. Mas começava já a senti-lo numa pequena angústia caprichosa ainda meio inconsciente.

Só mais um pouco, não pode ser, ainda há pouco senti o conforto do lençol macio e o alívio de me libertar do peso de viver e fechar os olhos inspirando uma vida repleta e ainda assim incompleta..., não pode ser hora de acordar... Estou demasiado dorida e cansada, os olhos teimam em fechar, a consciência teima em não chegar - ou em partir a todo o momento... Só mais um pouco no quente do edredão, na leveza do nariz a roçar a fronha da almofada, no calor do corpo tão perfeitamente distribuído... Tudo menos a realidade, tudo menos o dia, tudo menos o frio, tudo menos mais responsabilidade de vida.

Nada a poderia satisfazer mais que a simples constatação que nenhuma obrigação - assim mesmo: obrigatória - a iria arrancar do seu pequeno paraíso... Sim, hoje não.

Podes dormir até mais tarde... É algo que já só ouve por metade, mergulhada já no mistério de um sono tão desejado.

3 comentários:

Cate disse...

Gosto tanto de ficar na caminha! :D

manuel disse...

ah pois... tbm eu quero!

T disse...

é tão bom, tão bom, tão bom... E para ti ainda deve ser melhor, que és sempre tão responsável*